12 de junho de 2010

O Pastor

Sabe aqueles dias em que nada dá certo? Todo mundo já passou por isso.
Roberta perdeu o emprego numa semana e na outra descobriu que o namorado enfeitava sua cabeça. Vida difícil, sem emprego e sem namorado ainda tinha que voltar para casa de ônibus. E quem anda de ônibus sabe que as piores experiências de nossa vida, passam naquele enlatado.
Sentada na janela olhando a cidade passar com a velocidade do ônibus, Roberta pensava na vida, distraída com os seus problemas, nem viu quando um homem de terno e gravata se sentou ao seu lado, só reparou mesmo quando ele começou a falar.

– Porque Jesus disse: “Tudo passará, mas a minha palavra será sempre firme como uma rocha”. O fim dos dias está chegando, as evidencias estão aí e ninguém pode negar. Irmãos e irmãs vejam o que está diante de seus olhos. As guerras, a fome, as pestilências...

Era só o que faltava, o dia não estava ruim o suficiente para acabar daquela maneira, tudo o que ela mais queria era chegar em casa, tomar uma ducha e ir dormir, não sentia fome, mas uma raiva súbita do pastor começava a crescer dentro dela.

– Terremotos, descomedido amor ao dinheiro, amor aos prazeres da carne, sem contar que ninguém leva a sério as provas que os últimos dias estão chegando. Mas irmãos e irmãs Deus não lhes abandonará...

O pastor falava sem parar, resolveu citar a bíblia todinha ali, do lado de Roberta, que não podendo mais agüentar resolveu dar um basta naquela situação.

– Deus preparou um lugar especial para todos nós, e no dia do juízo final...
– Escuta aqui. –começou ela – Sabia que nem todo mundo quer escutar o que o senhor tem a dizer?

O pastor escutou o que Roberta falara com muito espanto, como se nunca tivesse sido interrompido antes. Recuperado do susto, mas agora chateado ele falou:

– A senhora é muito mal educada.
– Eu? É muito engraçado, a gente vem cansada, louca pra chegar em casa e ainda tem que agüentar esse monte de baboseira de que o mundo vai se acabar. Até aonde eu sei, faz tempo que o mundo tá pra acabar, seria melhor que acabasse de uma vez, pelo menos eu não teria que ficar ouvindo essas besteiras.
– Blasfêmia, blasfêmia contra a Palavra do Senhor! Você não será salva, irmã, a não ser que queira, mas eu sei que Deus está disposto a lhe perdoar e perdoar todos os seus pecados é só você se arrepender.

A briga dos dois tinha virado a atração principal do ônibus, até o cobrador olhava de longe para ver no que ia acontecer, o motorista apenas escutava de onde estava.

– Era só o que me faltava, um maluco bem aqui do meu lado.
– Muitos serão considerados malucos, porque no mundo onde se vive hoje ninguém mais acredita na palavra e quem acredita não é levado a sério, mas Deus sabe e conhece o coração de todo mundo...
– Isso só pode ser castigo, eu devo ter jogado pedra na cruz numa vida passada.
– Não existe vida passada. – Retrucou o pastor. – E tenho certeza que quem me colocou do seu lado hoje neste ônibus – dizia ele, apontando o dedo para cima e o sacudindo, na outra mão ele segurava a bíblia que às vezes abria e depois fechava – foi Deus. Deus me colocou ao seu lado, minha irmã, e sabe por quê?
– Não, por quê? – Indagou ela, com visível desinteresse.
– Porque só Ele sabe as dores que te afligem, só Ele sabe o que passa dentro de ti e só Ele pode te dá o conforte que você precisa. Ninguém mais. Por isso eu lhe pergunto irmã: Tem algo lhe afligindo?

Roberta pensou um pouco, suspirou fundo e disse:

– Tem sim. – Disse aos prantos. – A minha vida, a minha vida não vale nada, eu sempre perco as coisas que eu amo, meu namorado, meu emprego, tudinho.
– Então dê graças pelo que você perde irmã, porque Deus lhe dará em dobro.
– Ah é?
– É claro, porque só Deus te ama de verdade. Mas para isso você precisa aceitar Jesus. Você aceita Jesus, irmã? – Gritou ele.

Dentro do ônibus o silêncio era total, todas aguardavam a resposta, todos queriam saber se ela aceitaria ou não, era uma proposta difícil, mas quem sabe? Era algo que só dependia dela. Ela abriu a boca devagarzinho e todos seguraram a respiração, mas ela fechou novamente sem falar nada, todos soltaram à respiração. Mais uma vez ela abriu a boca.

– Sim, eu aceito Jesus. – Disse ela para a vibração de todos que aguardavam ansiosamente, muitos tinham se levantado, a maioria batia palma, alguns se abraçavam, outros gritavam viva.
– Não ouvi, mais alto: você aceita Jesus irmã?
– Sim, eu aceito. – Gritou ela
– Muito bem, então tome este cartãozinho é onde fica a minha igreja, estarei esperando por você. – Ela pegou o cartão e o guardou na sua bolsa.

O final da viagem seguiu tranqüila e silenciosa, o pastor após ter convertido Roberta parecia satisfeito e não falara mais nada para alivio e alegria do restante dos passageiros que tinham feito uma corrente para que ele convertesse alguém e calasse a boca, só assim seguiria viagem em silêncio, afinal estavam todos cansados e só queriam chegar em casa logo.

Por Hévilla Wanderley

Em dia de goleiro não há goleadas


O segundo dia de jogos começou bem cedo, Coréia do Sul e Grécia entraram em campo às 8h30 (horário de Brasília) para jogarem a pior partida até aqui, não que já se tenha muitos jogos, mas isso não isenta a pontaria ruim dos coreanos, apesar de ser uma equipe até arrumadinha, e a péssima defesa da Grécia. Esta última nunca marcou um gol em copas do mundo, e pelo que parece, continua tentando o mesmo neste Mundial.

Por isso mesmo a Coréia venceu sem grandes dificuldades. 2 a 0 foi o placar final do jogo. Os gols foram marcados aos 7 minutos do primeiro e do segundo tempo, o último marcado pelo “craque” do time, Ji-Sung Park, jogador do Manchester United.
Este placar deu à Coréia a ponta do grupo B, já que a principal candidata para liderança, a seleção argentina, ganhou da Nigéria com um magro 1 a 0. O melhor jogo da copa até aqui contou com muitas chances de gol, 29 no total, 20 para os hermanos, no qual sete foram diretos no gol.

Messi, atual melhor jogador do mundo foi quem mais brilhou pela Argentina: driblou, chutou a gol e se movimentou como só faz no Barcelona, quer dizer, ainda não tem bem como no Barcelona, mas já é um começo para amenizar um pouco as criticas que são feitas por causa da diferença do seu desempenho nas duas equipes. Mas, e sempre tem um mas, hoje foi dia de Enyeama. O goleiro nigeriano fez defesas inacreditáveis, parou o craque argentino como poucos fizeram essa temporada, ou seja, só Julio César.

Porém o que Messi não conseguiu insistentemente fazer, Heinze o fez e de cabeça. Aos 6 minutos do primeiro tempo o "gringo sagrado", como é chamado carinhosamente em seu país marcou o único gol do jogo.

Para terminar o dia, aconteceu o primeiro jogo do grupo C, que foi entre Inglaterra e Estados Unidos. Com ameaças de Al Qaeda de um ataque terrorista, o jogo teve a segurança mais reforçada da competição. Mas felizmente nada aconteceu. Fora de campo, porque dentro...

A Inglaterra abriu o placar logo aos 4 minutos do primeiro tempo, Rooney, passou para Heskey, que tocou para Gerrard, e o capitão do English Team concluiu depois desta bela triangulação. Os norte-americanos montaram um paredão na defesa, ficaram mais tempo com a posse de bola e usaram as bolas levantadas na área como principal arma de ataque.

Mas o empate não veio da cabeça, e por ironia, nem dos pés de nenhum jogador dos Estados Unidos, mas das belas mãos do goleiro inglês Robert Green. Se for verdade o que o ditado diz, “o primeiro frangaço da copa a gente nunca esquece”, principalmente se este for o motivo para a não vitória de sua equipe.

Os últimos 45 minutos começaram e terminaram de forma bem equilibrada, a Inglaterra chegou a ocupar o campo adversário no começo, depois o jogador americano Altidore acertou um balaço na trave de Green, provando que algumas traves são mais competentes do que certos goleiros. E bem no finzinho, o time da terra da rainha ainda conseguiu chegar com perigo na área adversária, mas parou na competência do goleiro americano Howard, provando que hoje foi o dia dos goleiros e não das goleadas.

Por Hévilla Wanderley

11 de junho de 2010

Um equilíbrio espetacular

Depois de quatro anos espera, o mundo volta a parar e se concentrar no maior torneio de seleções do planeta. Exatamente, a Copa do Mundo de Futebol começou. Parece estúpido repetir o que todo mundo sabe, afinal, se você não saiu do planeta nos últimos meses, com certeza está ciente disso, de que todos os olhos estão e estarão voltados para o continente africano durante este mês, mas precisamente, o extremo sul da África.

México, equipe mais técnica que a sul-africana, porém com torcida menor

E por falar em África, em futebol, por que não incluir o México nessa conversa e também o jogo de abertura? Foi um bom jogo, dentro do esperado, nem mais, nem menos. Duas equipes equilibradas, o México até conta com jogadores mais técnicos do que a África do Sul, mas esta conta com mais torcida e “vuvuzelas” do que o México.

O primeiro tempo começou com total domínio do México, com toques precisos, marcação na saída de bola e quando possível, rapidez no contra-ataque. Giovani dos Santos foi o principal nome do time, o ponta direita além de se movimentar bastante durante o jogo, principalmente no primeiro tempo, ainda fez cinco desarmes. Nos primeiros minutos a África chegava raramente ao ataque e quase não apresentava riscos. O jogo só se tornou mais equilibrado depois dos trinta minutos iniciais.

Com o jogo mais movimentado, os jogadores sul-africanos começaram a se destacar Dikgacoi (nome fácil de pronunciar) do Fulhan, na saída de bola e Pienaar do Everton na armação das jogadas, fazendo o desempenho da África melhorar, mas não o suficiente. Somente no finalzinho do primeiro tempo a seleção sul-africana coloca pressão na equipe mexicana ao cobrar uma série de escanteios.

O começo do segundo tempo o jogo se tornou mais equilibrado e com mais espaços, os dois times já não estavam tão cautelosos, nem tão ansiosos como aparentavam no primeiro tempo. Principalmente a África do Sul, que antes acuada pelo México, foi ao ataque sem medo. E para a alegria do técnico Parreira, abriu o placar aos oito minutos com Tshabalala (não vou implicar com esse nome porque eu consigo pronunciá-lo). O México voltou a pressionar, mas sem a mesma velocidade e precisão do primeiro tempo, a África do Sul era mais perigosa e ainda desperdiçou duas chances de gol.

O mesmo não fez Rafa Marquez do México, após um cruzamento na área aos 32 minutos, o zagueiro dominou e mandou a bola para o fundo das redes, igualando o placar e calando as vuvuzelas, a África ainda perdeu a chance de vencer com Mphela no finalzinho do jogo, mas terminou assim mesmo, empatado em 1 a 1.

África do Sul, anfitriã da Copa este ano

Mas África do Sul e México não fizeram o único jogo do dia, ainda abrindo a primeira rodada, o Uruguai dos Diegos Forlan e Lugano, estreou hoje contra a nossa querida França, sempre lembrada pelas vitórias em cima do Brasil, pela mão classificatória do Henry e de vez em quando, pelo futebol, que convenhamos, de uns tempos para cá é tão bom como a sanidade do seu treinador Domenech.

O segundo jogo do dia começou mais movimentado e aberto do que o primeiro. Quem esperava uma França muito desorganizada, viu uma seleção com mais volume de jogo do que o habitual e criando as melhores oportunidades da partida. No meio do segundo tempo os dois times buscaram mais o ataque, o que obrigou os seus goleiros a fazerem grandes defesas. O Uruguai passou a maior parte do tempo se defendendo e tentando sair no contra-ataque.

No segundo tempo, a partida foi mais truncada, o jogo se desenvolveu no meio de campo, ou melhor dizendo: não se desenvolveu, parou no meio de campo. O jogo por alguns minutos pareceu que seria melhor do que o primeiro, mas os indícios eram falsos, como um falso profeta. E o Saldo: muitas faltas, muitos cartões amarelos e uma expulsão. Lodeiro foi exatamente aquele jogador que entra no segundo tempo, só para ser expulso, passou cerca de 18 minutos em campo. Ele tinha entrado no lugar de Gonzalez, jogador premiado com promoção: Assista ao jogo dentro de campo!

Mesmo com a expulsão, o jogo não melhorou, ficou pior. O Uruguai se fechou inteiro e a França usou como recurso bolas alçadas na área e também a bola parada. Mas nada que tirasse o 0 a 0 do placar.

O primeiro dia da copa começou como o esperado, o grupo mais equilibrado na teoria, provou que também o é na prática. Agora só nos resta esperar os outros jogos, os outros grupos e torcer, não por um time em especial, mas pelo pobre bom futebol, que ele apareça logo.

Por Hévilla Wanderley

Cássio Cunha Lima - Candidatura rejeitada até pela natureza!

A maré da má fase continua perseguindo o ex-governador da Paraíba, Cassio Cunha Lima. Na última sexta-feira (4), durante uma entrevista para a TV UOL, o qual falava às vésperas da abertura do São João de Campina Grande, "O Maior São João do Mundo", um raio atingiu a rádio Campina FM 93,1, e interrompe a entrevista do ex-governador. Passado o susto, o ex-governador paraibano continuou sua entrevista e, ainda no escuro, a TV UOL conversou também com pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.

A parte mais engraçada de tudo isso foi como a equipe da rádio encarou o imprevisto com bom humor e anunciou: "é o pipoco de São João!", mesmo com o prejuízo estimado em R$ 20 mil reais.

Veja o vídeo



Por: Alberto Adonias
Créditos: ClickPb

10 de junho de 2010

Projeto IRRADIAR



Em julho, na Estação Energisa, em João Pessoa, acontecerá o Projeto IRRADIAR, realizado pelo grupo Tempo Glauber. Já tendo passado por vários estados brasileiros, o projeto chega à capital paraibana com cinco oficinas, que têm como objetivo dar base e treinamento a escritores, cineastas e estudantes de audiovisual.

Tem o apoio do Ministério da Cultura, a principal meta é democratizar o conhecimento na área do audiovisual para o público em geral, através de palestras envolvendo roteiro e produção de conteúdos da área.

Para mais informações e inscrição, acesse o hotsite, na imagem abaixo.

Vagas limitadas.
E aí, vai perder essa?

Por Equipe Influenza

5 de junho de 2010

Profissão de Risco

Que uma mulher é um ser engraçado, ninguém duvida, mas uma mulher em uma loja de roupas chega a ser aterrorizante... para o vendedor.

– Não, essa não. Aquela. – fala Clotilde, apontando para uma blusa de bolinhas que está no manequim.
– Essa a senhora já provou e disse que não ficou bem, não se lembra? – pergunta o vendedor paciente.
– Mas essa é diferente. Não vê que ela é maior, aquela outra me deixava mais gorda. – explica a senhora que aparenta ter uns quarenta anos e está um pouco fora de forma.

Pacientemente o vendedor tira a blusa do manequim e entrega para Dona Clotilde, que a coloca embaixo do braço e sai para o provador. Meia hora depois ela volta. Então, o vendedor pergunta:

– Como ficou?
– Péssima! Essa me deixou mais gorda do que a outra.

“É porque a senhora é gorda!”, pensou o pobre vendedor, mas nada disse. Ele analisou a situação e perguntou se ela não preferia um pretinho básico. Preto sempre deixava as pessoas mais magras. Ela aceitou a proposta e começou mais uma busca do vendedor, agora por blusas pretas.

– Não gostei dessa, ela é muito decotada. Essa também não, a malha é muito fina, o inverno tá chegando, sabia? Vou experimentar essa. – Disse ela, segurando uma de gola e mangas compridas, saindo novamente para o provador.
– E então? – Disse o vendedor assim que avistou a senhora sair do provador, rezando para que tudo terminasse logo.
– Ficou perfeita! Você tinha toda razão meu filho, preto sempre nos deixa mais magra.
– Que bom! A senhora vai pagar no cartão ou...
– Espere um pouco.
– O quê, o que foi? – Perguntou o vendedor apreensivo. O medo começava a dominá-lo, suas mãos suavam, suas pernas tremiam e o coração disparado lembrava o dia que ele tinha conhecido os pais da primeira namorada.
– Estou pensando em levar uma calça também, o que acha?

“Que a senhora deveria ir embora!”, pensava ele, enquanto sorria amarelo para Dona Clotilde, que lhe devolvia o sorriso.

– Vamos, é por aqui que fica a seção das calças. Que tipo de calça a senhora quer?
– Não sei ainda.

O vendedor mostrou todas as calças que cabiam nela, de diversas cores e formatos, subiu prateleiras, foi buscar no estoque interno, andou pela loja, pediu informações ao gerente, mas nada, nenhuma conseguiu agradá-la.

– Sabe de uma coisa, meu filho? – Disse Dona Clotilde para o coitado do vendedor, que esperava um novo bombardeio. – Já que não tem nenhuma calça, acho que também não vou levar a blusa. Talvez um vestido fique bem em mim. Aonde fica a seção de vestidos mesmo?
– Já chega! – Gritou ele. Todos que estavam na loja ouviram e viraram para ver o que estava acontecendo, ele arrancou a blusa das mãos dela e a rasgou de cima a baixo. – E agora, cabe na senhora, não? – Ele rasgou mais uma vez e gritou. – E agora? – Jogou a blusa rasgada no chão pisou em cima, agora já não importava mais, seria demitido e sairia feliz, não atenderia mais ninguém nessa vida, nem a própria mãe.
– Meu filho – chamou a senhora – No que está pensando?
– Em nada, em nada. – Respondeu o vendedor, acordando do seu devaneio. – É por aqui, venha comigo.
– Você sabe dizer se tem algum de cor verde-mar? – Inquiriu ela, e o vendedor balançou a cabeça positivamente.
– Quem diz que um vendedor de loja não tem vida agitada é por que nunca atendeu uma mulher. – Disse ele baixinho.
– O que foi que disse, meu filho?
– Por aqui. Por aqui.

Por Hévilla Wanderley

4 de junho de 2010

As Eleições vêm aí

Se quisermos um País melhor, é melhor ficarmos de olhos bem abertos e não jogar nosso voto no lixo!


Neste ano eleitoral, nós possuímos um grande poder coletivo para mudar o quadro da política nacional. Já nos habituamos a falar mal da nossa política, mas na hora que temos o poder para fazer a diferença, através do voto, parece que nos esquecemos de lembrar daqueles que sempre apontamos como "errados".

Há pouco tempo foi criado o projeto de Lei Ficha Limpa (em tramitação no congresso), lei está que visa filtrar do congresso aqueles políticos que estiverem com os nomes sujos em processos sendo qual for à sua natureza, tendo como punição a proibição da sua candidatura.

Ao redor do mundo, a Internet vem se mostrando uma nova força política, uma forma de democratizar a política e criar novos canais de participação para a população. Se soubermos utilizar esta ferramenta, nossos políticos finalmente entenderão que se nós os elegemos, eles trabalham para nós.

Segue a lista dos parlamentares processados, por estado. Veja a relação, por bancada estadual, dos congressistas que respondem a algum tipo de processo ou inquérito no STF.


30 de maio de 2010

Com Lenine e Cabruêra, 13º Fenart chega ao fim na noite de sábado

Ao som do último trabalho de Lenine, “Labiata”, chegou ao fim o 13º Festival Nacional de Arte (Fenart) na noite deste sábado, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa (PB). Promovido pelo Governo do Estado, através da Fundação Espaço Cultural da Paraiba (Funesc), a maratona de arte, cultura durou sete dias e apresentou mais de 160 atrações entre música, cultura popular, teatro, dança, cinema, artes visuais, literatura, palestras e workshops.

Para coroar o evento, Lenine subiu ao Palco 1 da Praça do Povo do espaço Cultural José Lins do Rego disposto a fazer o público cantar junto canções como ‘Marco Marciano’, ‘Último pôr do sol’ e ‘Martelo Bigorna’ estiveram presentes. A mescla complexa da música eletrônica e regional aliada ao universo da linguagem pop criou um estilo próprio e faz de Lenine uma exceção à regra do show business brasileiro.

Numa trajetória de 30 anos, ele selecionou para o público do Fenart canções como ‘Candeeiro encantado’, ‘A ponte’ e’ Jack Soul Brasileiro’. No bis, acompanhou o público cantando um de seus maiores sucessos, “Hoje eu quero sair só” e encerrou a apresentação ao som de “Leão do Norte”.

Antes de Lenine, subiu ao palco Beto Brito, o rabequeiro radicado na Paraíba que produz música de raiz com sotaque contemporâneo. E quem encerrou a noite foi a banda paraibana Cabruêra. Recém-chegada de um festival em Liverpool, na Inglaterra, a banda mostrou o show do disco “Visagem”, lançado em fevereiro deste ano.

Violonista Diego Figueiredo surpreende o público no Bangüê

Mais cedo, no Bangüê, o violonista Diego Figueiredo surpreendeu o público com um show de virtuosismo. Com o "Diego Figueiredo Trio", que é formado por ele, o baixista Eduardo Machado, e o baterista Marcos Sabino, apresentou músicas do seu último CD, "Vivência", lançado em 2009 pela gravadora Biscoito Fino, e também sucessos como "Samba de uma nota só", de Tom Jobim, e "Sampa", de Caetano Veloso.

A apresentação de Diego, que contou com a presença ilustre da cantora Glória Gadelha na platéia, começou por volta das 19h30 no Cine Banguê e durou uma hora e meia. O ápice foi quando o músico tocou "Carinhoso", de Pixinguinha, pedindo para que a público cantasse a música.

Em entrevista, o artista contou que havia acabado de voltar de Nova York, onde estava gravando um CD com a cantora francesa Cyrille Aime. Os dois foram ganhadores do prêmio de Montreau em 2007, ele na categoria guitarrista, e ela na categoria vocalista. O CD gravado pelos dois irá se chamar "Just two of us" e deverá ser lançado no Japão no mês de julho.

"Pretendo também lançar o CD ‘Vivências 2’ e tenho um disco de choro guardado, estou aguardando uma oportunidade para lançá-lo, mas quero que seja ainda esse ano. Além disso vou gravar um DVD em outubro e já está quase certa a participação de George Benson nele." revelou o músico, que tem um total de 12 CDs e três DVDs gravados.

Sobre a experiência de tocar em João Pessoa Diego explicou que já conhecia a cidade, pois já tinha vindo anteriormente por três ou quatro vezes acompanhando o músico Belchior, com quem tocava.

Mesa reúne jornalistas e Zuenir Ventura autografa livro

Zuenir Ventura, Marcela Sitônio, Jô Mazarollo e Gonzaga Rodrigues, mediados pelo professor Hildeberto Barbosa, conversaram sobre os problemas, os erros e acertos do jornalismo nos primeiros 10 anos da dita pós-modernidade.

Logo no início do debate, Hildeberto levou um trecho da apresentação de ‘1968: O Ano Que Não Terminou’ em o escritor Hélio Peregrino é citado. Zuenir se emocionou ao lembrar do amigo que o encorajou a terminar o livro e iria fazer o prefacio, mas morreu sem escrevê-lo.

Quem também se emocionou foi o veterano cronista paraibano Gonzaga Rodrigues, que também teve um trecho de seu livro lido pelo frofessor Hildeberto.

Zuenir defendeu o uso racional das tecnologias: “Devemos usá-las e não ser usado por elas”, advertiu. E aconselhou os estudantes presentes a não se deixarem deslumbrar por esse universo hi-tec.

Alunos e professores de Comunicação marcaram presença, além dos tradicionais curiosos do jornalismo. Foram abordadas as questões do tempo nas redações e das aflições causadas pelo imediatismo; do benefício que hoje a comunicação interativa trouxe, com a sociedade ‘em rede’ (já que antes sequer havia telefones celulares).

Foram discutidas, ainda, as questões sobre o diploma; a reformulação do curso de Jornalismo e sobre a revolução do lead, idéia que veio dos EUA depois da II Guerra (antes disso o jornalismo era mais subjetivo).

O ápice da discussão foram as histórias de bastidores sobre as inquietações próprias da profissão. Segundo Jô Mazarollo, um jornalista não deve perder a inquietude. E ilustrou a pauta lembrando Caco Barcellos, com que trabalhou na Rede Globo, sobre seu entusiasmo com a notícia.

Após o debate, Zuenir desceu a Praça do Povo, onde autografou o recém-lançado “Sobre o Tempo” (Editora Agir), fruto de um papo sobre a vida entre ele, o amigo e também escritor Luís Fernando Veríssimo e o jornalista Arthur Dapieve.

Estandes de HQs levam desenhistas renomados ao Fenart

Um grupo de artistas de histórias em quadrinhos passou pelo 13º Fenart. O Rascunho Studio de Artes Visuais trouxe Emir Ribeiro, o nome por trás da heroína Velta, além do desenhista da revista “Daughters of Merlin”, Edi Guedes; a desenhista e colorista de mangá, Lívia Pereira; o desenhista da revista “Penny for Your Soul”, J.B. Neto; e a desenhista de cartoon e mangá, Naara Andrade.

Já o grupo Made in PB trouxe os artistas Jack Herbert, Izaac Brito, Franciélio Alves e o famoso Mike Deodato Jr., desenhista da grande editora americana de quadrinhos Marvel Comics, por onde ilustrou personagens famosos como Homem-Aranha e X-men.

Todos eles fizeram desenhos autografados para o público presente na Praça do Povo, por volta das 19h. Os desenhistas ficaram produzindo ilustrações com dedicatórias por cerca de uma hora.

Gesto, do Rio, faz dobradinha com peça infantil e adulta

O grupo de teatro carioca Companhia do Gesto apresentou no sábado duas peças na programação do 13º Fenart. O espetáculo infantil "Maria Eugênia" trabalha sem falas, contando a história de dois amigos que modificam seu cotidiano reaproveitando lixo. A peça tem direção de Luís Igreja e foi apresentada à tarde no Teatro Paulo Pontes.

O espetáculo "A margem", da mesma companhia, também foi apresentado no Paulo Pontes, só que às 20h. "A margem" também tem direção de Luís Igreja, e é como uma versão para adultos de "Maria Eugênia". A peça também não tem falas e também conta a história de dois moradores de rua.

Mas essas não foram as únicas atrações de teatro nesse sábado. Às 18h houve apresentação do Projeto Ensaio com a peça "Incelença", da Companhia do Rosário, no Auditório Zé da Luz.

Site do Fenart 2010:
Fenart no Twitter:
Leia mais sobre o Espaço Cultural José Lins do Rego – www.funesc.com.br

29 de maio de 2010

XIII FENART: Show de Frejat - frenético e eletrizante

Foto: Deyse Plácido

O momento mais esperado da noite de ontem foi o show de Frejat. E digo logo de antemão, que foi muito, mas muito bom. Frejat e sua banda vieram no estilo mod, meio blues brothers, com calças e ternos pretos, alguns de gravata, umas gracinhas. O Espaço Cultural estava entupido de gente e o público cantou todo o repertório, que foi bem variado, contando com sucessos de Legião Urbana, Adriana Calcanhoto, Paralamas do Sucesso e outros nomes. E, é claro, não deixou de fora músicas como "Por você", "Homem não chora", "Puro Êxtase" e "Exagerado".


Foto: Deyse Plácido

Quem deu uma palhinha com ele foi a Renata Arruda, juntos cantaram "Malandragem", música que é composição do próprio Frejat e do eterno Cazuza. Uma parte da platéia, as meninas e os meninos-menina, gritavam "LINDOOOOOO, GOSTOSOOOOOOO", e ainda havia uma criatura ensandecida e sua trupe, bem atrás de mim, que queria a todo custo que Frejat cantasse uma determinada música e ela soltava aos berros, "CODINOME BEIJA-FLORRRRRRRRRRRRRR, CODINOME BEIJA-FLORRRRRRRRRRRR". E eu pensava, "putz, vou sair surda." Mas, graças a Deus, ela ficou BEM rouca, não conseguiu mas gritar, e eu pude aproveitar o resto do show feliz da vida!


Foto: Deyse Plácido

Tirando esses detalhes que são de praxe em todo show, a noite foi maravilhosa e a única coisa que deixou a desejar foi que ele podia ter cantando mais algumas muitas horas! Mas aí também já é pedir demais.

Por Deyse Plácido (@deyseplacido)

XIII FENART: Aplaudam o alheio

Infelizmente, parece que para nós, paraibanos, possamos assistir a uma performance teatral que faça sentir que o nosso dinheiro foi bem investido, precisamos esperar por algo de fora. Não estou aqui menosprezando a cultura paraibana, não. Porém, dai a César o que é de César. Não vou afirmar categoricamente que não existam bons espetáculos por aqui, pois estaria mentindo, mas acontece que estes existem em menor escala, numa desigual escala, se comparados aos do Sudeste, por exemplo. E alego desde já, o problema não é falta de talento dos nossos conterrâneos, mas a falta de importância e investimento voltados para essa área. Ou, porque não dizer, investimento mal direcionado.

Algumas pessoas, até mesmo aquelas responsáveis pelo desenvolvimento da educação e da cultura do nosso Estado, falam, equivocadamente, que não sabemos valorizar o que temos. Dizem que deixamos de valorizar o “nosso” para dar valor ao “alheio”. É uma maneira ignorante de se avaliar. Será que nós, assim como qualquer ser humano, não tendemos a gostar, a querer o melhor? Às vezes o que simplesmente não conseguem entender é que não somos obrigados a dar preferência ao “nosso”, quando este ainda carece de muita coisa, nos restando à alternativa de optar pelo “de fora”. Vejamos “Pastoril Profano”. É um grupo teatral, paraibano, que sempre atrai grande público. Mas, será mesmo que as pessoas só podem rir e se divertir com um tipo de comédia que recorre ao “pornográfico”? Não desmereço o talento dos atores, muito pelo contrário, até admiro o potencial de cada um deles e por isso afirmo que talvez eles pudessem render muito mais se investissem em outros estilos, além do costumeiro.

Falo tudo isso como uma forma de desabafo, ou, uma maneira de expor o meu descontentamento com os espetáculos originários daqui da Paraíba (não com todos é claro, mas com a maioria). Ao comparecer no FENART, na noite do dia 27 de maio, no Teatro Paulo Pontes, tive esta enorme vontade de comentar acerca desse tabu que diz: “Aprenda a valorizar sua cultura, não fique alienado à cultura Rio-São Paulo, não”. Poxa, quando os paraibanos saírem dassa postura defensiva e optarem por melhorarem, aí sim eles conseguirão ganhar mais adeptos e as salas de teatro estarão sempre cheias.

Procuramos fora o que não encontramos aqui, é simples. Eu, de fato, fiquei muito encantada com o que vi na noite passada. Um cenário magnífico, iluminação que não deixava a desejar. O espetáculo “Inveja dos Anjos”, do Armazém Cia. de Teatro, sob a direção de Paulo de Moraes (RJ), arrancou não apenas sorrisos, mas satisfação e encantamento de seus espectadores, que sequer viram a hora passar, falo isso como espectadora. A música, sempre que tocada, exprimia bem a emoção dos personagens e da cena como um todo. Por vezes tive a sensação de estar diante de outro mundo, era como se aquilo que estava bem em frente aos meus olhos realmente existisse. O espetáculo realmente conseguiu prender minha atenção, e suponho que a de todo o público, sem precisar usar de palavras de baixo calão o tempo inteiro. As cores, o som, a arte e a fantasia pairavam sobre aquele lugar, e isso sim é teatro.

Por Ysabelly Morais