22 de agosto de 2010

Ensandecidamente Isabely

Isabely e seu marido eram separados, mas aquele homem violento ainda insistia em tê-la, e sempre tentava agredi-la.

Um certo dia, Isabely conversava com suas amigas na rua, quando João, seu ex-marido, apareceu. Embriagado, dominado pelo desejo, ciúmes e ódio, ele tenta mais uma vez um possível retorno do relacionamento e assim conseguir realizar o seu intento: o puro e simples sexo, sem amor, compaixão ou sentimento.

Entretanto, Isabely não tem o menor interesse em reatar, por conhecer a índole do ex-marido e simplesmente o esnoba. Inconformado, João começa a xingá-la dos piores nomes que alguém pode imaginar, ali mesmo, na rua, na frente de todos, um espetáculo a céu aberto.

Não bastasse isso, ele passa a agredi-la fisicamente, puxar-lhe os cabelos, chutes e socos. Ela tenta incessantemente se defender e luta com ele, quando se agarra em seu pescoço, na tentativa de morde-lhe o pescoço e arrancar-lhe o pedaço. Nesse momento, bate uma mistura de desgosto e raiva imensa. Isabely não tinha dentes, não podia mordê-lo, não ia arrancar o pedaço do pescoço e ia continuar apanhando. Apenas ouve-se uma risada de João.

Mas ele não contava com a ironia do destino. Havia um tijolo ao lado, e Isabely percebeu. Sem perder tempo, tacou-o no meio dos dentes de João.

- Ri agora, gritava Isabely

Ao jorrar o sangue, as pessoas em volta tiraram Isabely de cima do homem banhado de sangue, e este imediatamente desatou a correr, jurando vingança.

Por Deyse Plácido

15 de agosto de 2010

CMCCCC

O que Dona Marieta mais gostava de fazer era falar e seu assunto favorito era a filha Marcelinha.
– Loira, alta, magra, tem um narizinho levemente arrebitado, perfeita. – dizia ela para a sua vizinha. – Perfeita para ser modelo. Eu sempre sonhei em ser modelo. – confessava. – Mas não pude, não cresci muito como a senhora pode ver, mas Marcelinha puxou ao pai e cresceu muito, mal fez quinze anos e já está com seus um e setenta, e bonita como é... Não vejo a hora de vê-la na passarela.
Marcelinha realmente era muito bonita, mas não queria saber de ser modelo, não era o que sonhava para si. “Por que a mãe era assim?” Era o que sempre se perguntava. Não gostava da maneira como a mãe queria impor o seu sonho antigo de adolescente sobre ela. O que ela queria era outra coisa...
– Casar?
– É casar.
– Com quem?
– Como o Otávio Augusto.
– Mas vocês mal completou quinze anos.
– Eu não vou me casar agora. Vou esperar completar dezoito e então caso!
– Mas minha filha, você é tão bonita tem tudo pra ser uma modelo de sucesso, até nome de modelo você tem, Marcelinha Montez, você não pode fazer isso, não pode se casar.
Mas Marcelinha não ouviu a mãe e se casou, não com o Otávio Augusto, ele já era passado, casou-se com o Luiz Otávio e teve uma filha: Maria Clara, tão bela quanto ela, principalmente depois que cresceu. Arrancava suspiro de todos os garotos da escola e quando entrou na faculdade arrancou suspiros por lá também.
– Então filha. – Falava Dona Marcelinha. – Quando pensa em se casar?
– Casar eu?
– É, ainda não nos trouxe nenhum namoradinho aqui, aquele rapaz, o Flávio, bonito ele, por que você não o convida para jantar?
– Não acho uma boa idéia.
– Por quê?
– Porque não, além do mais eu não pretendo casar.
– Como assim não pretende casar? Que moça de família não quer casar?
– Eu. E muitas outras que fazem parte da CMCCCC.
– CM o que?
– CCCC.
– E o que significa isso?
– Clube das Mulheres Contra o Casamento e o Consumo de Carne. Nós não somos apenas contra qualquer tipo de matança indevida e defensora dos animais, mas também contra o casamento, essa forma falida do homem tentar inibir e apequenar a mulher. Homens nunca mais. Não precisamos deles, tudo o que eles podem fazer, faremos melhor, tudo o que eles pensarem em criar, criaremos melhor e tudo o que eles...
– Mas, mas... E netos, você me prometeu netos não se lembra?
– Claro mamãe. A CMCCCC permite que tenhamos produções independentes.
– Produções o que?
– Independentes. Podemos ter nossas próprias filhas sem nenhum problema e sem precisarmos casar, não é ótimo?
A mãe não sabia o que dizer, nunca ouvira tamanho absurdo, uma mulher que não quisesse casar. E ainda por cima queria ter um filho sozinha, o que os vizinhos não iriam falar? Era o fim, era o fim.
– A culpa é sua Luiz Otávio. – Dizia ao marido. – Você que não deixou quando a mamãe quis colocá-la naquela agencia de modelos. Ela é loira, alta, magra, tem um narizinho levemente arrebitado, perfeita. Até nome de modelo ela tem, Maria Clara, era só colocar o sobrenome do marido e o sucesso era garantido.

Por: Hévilla Wanderley

14 de agosto de 2010

Tele inconveniente

- Alô?
- Eu gostaria de falar com a senhora Mariana, por favor.
- É ela, quem deseja?
- Senhora Mariana, aqui quem fala é Faraó, e eu sou da loja Vista Bem.
- Ah, e eu sou a Cleópatra!
- Como senhora?
- Não, nada não. Prossiga.
- Como eu ia dizendo, meu nome é Faraó e sou da loja Vista Bem.
- Hehehe, seu nome é Faraó mesmo?
- É sim senhora.
- Hum...
- Então, a senhora já deve ter recebido algum informativo sobre o novo pacote de vantagens da loja Vista Bem, correto?
- Não.
- A senhora não recebeu nenhuma correspondência da loja Vista Bem, sobre o pacote de vantagens?
- Não.
- Então eu vou te passar os detalhes.
- Olha, você pode me ligar em outro horário? Agora, nesse exato momento eu estou jantando.
- Mas senhora, eu serei breve, não vou demorar.
- Então tá ok. Seja breve.
- Então como eu ia falando, a loja Vista Bem está com um super pacote de vantagens. A senhora terá direito a socorro mecânico e elétrico para o seu carro, no local após acidente ou pane; chaveiro, caso perca, ou quebre as chaves; encanador; e eletricista.
- É um tipo de seguro né...
- Não senhora, é um pacote de vantagens.
- Que funciona com seguro!
- Não senhora, é um pacote de vantagens que funciona como tal.
- Ah tá, kkkkkk. Olha só, seu pacote de vantagens é muito bom, mas eu não estou interessada.
- Mas senhora, se o pacote é muito bom, então porque não fica?
- Porque não me interessa.
- Senhora, é um investimento, pacote como este a senhora não conseguirá com nenhuma outra loja.
- Ok, mas eu realmente não estou interessada.
- Porque não, senhora??
- Quanto custa?
- Estamos com um valor promocional especial, onde a senhora irá investir a quantia simbólica de 49,90 por mês.
- Quantia simbólica??? Olha, eu realmente não estou interessada. Nem carro eu tenho.
- Mas senhora, esse pacote não é só pra quem tem carro. E a senhora também nunca terá um carro?
- Não sei cara, mas no momento eu não tenho, portanto, não quero seu seguro.
- Senhora, não é seguro, é um pacote de vantagens.
- Que seja, mas eu não quero.
- Mas, senhora, na sua casa não tem energia elétrica? A senhora pode precisar de um eletricista. Ou de um encanador, caso haja algum problema com os canos. E isso custa muito caro. Mas, se a senhora tem o nosso pacote de vantagens isso fica de graça!
- Isso é uma praga?
- Não senhora, mas pode ser.
- Agora é que eu não quero mesmo! Você liga na hora da minha refeição, e ainda fica enchendo o saco rapaz! Paciência, meu senhor!!
- Senhora, a senhora não vai querer o nosso pacote?
- Não, não quero!
- Mas senhora, só me diga o motivo?
- O motivo é que eu não quero, simples.
- Nem pra me ajudar?
- Nem pra lhe ajudar, você é muito chato.
- Eu sou chato, senhora? A senhora não quer ficar com um super pacote de vantagens e eu sou o chato?
- KKKKKKKKK isso é trote? Pegadinha do Mução?
- Senhora, eu estou no meu horário de trabalho.
- E eu no meu horário de jantar. Vamos fazer o seguinte, senhor Faraó, você vai oferecer seu super pacote a outra pessoa e eu te desejo toda sorte do mundo. Ok assim?
- A senhora realmente não vai aderir ao pacote de vantagens da loja Vista Bem?
- Não
- Tem certeza?
- Absoluta
- Mas porque senhora?!
- Caralho!
- A senhora sabe que pode se arrepender muito dessa decisão?
- Não sei não.
- Pois vai se arrepender!
- Ah vai vender seus seguros pras esfinges, pirâmides e afins meu filho, talvez você tenha mais sucesso.
- Não é seguro, é pacote de vantagens.
- Sacanagem... Passar bem!

Por Deyse Plácido

11 de julho de 2010

"Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus"

“Garotas entram em modo de ataque quando me veem”, diz Rômulo Arantes Neto


Foto: Divulgação


Rômulo Arantes Neto realizou um ensaio fotográfico para lá de sensual para uma revista internacional e foi clicado pelo badalado fotógrafo Mario Testino


Foto: Divulgação


Durante a sessão Rômulo mostrou parte de seu bumbum, foi chamado de “O Garoto do Brasil” e disse que as mulheres enlouquecem por sua causa. “As garotas entram em modo de ataque quando me veem. Elas puxam meu cabelo, tentam arrancar minha calça", disse. Convencido?


Fonte: Famosidades


O ator faz ensaio fotográfico para revista internacional e é chamado de “O Garoto do Brasil”. Há algum problema nisso? Não, nenhum. Não, até o momento em que ele diz: “As garotas entram em ataque quando me vêem” Ora, por favor, mas o que é isso?! Poxa! É triste mesmo. Na verdade é lastimável. Por que não esperar que as pessoas digam que você é isso ou aquilo? Só pode estar com um rei na barriga!


E outra, se as garotas gostam, não são as únicas, pois o que esqueceu de complementar é que com certeza o público “G” também deve ir à loucura. É. Claro que sim! Basta dar uma olhadinha em seu ensaio fotográfico, que exibe um ar bem, como posso dizer? Colorido! Se era para falar ou se gabar, então que falasse de todos os públicos. Que desconsideração com o público masculino, ein?!


Por Ysabelly Morais (@YsabellyMorais)

27 de junho de 2010

Dia de Futebol

O casal de namorados sentados no sofá, ela com cara de poucos amigos, ele com uma cara despreocupada que só homem sabe fazer, na televisão ligada, passava um jogo de futebol. Placar de um a zero.

- Não foi falta, não foi não. Esse juiz filho da mãe não vê um palmo a frente do nariz.
- Calma amor!
- Calma o quê? E ainda por cima dá cartão amarelo, ele deveria ter dado pro que se jogou. Agora isso, e se sai o gol?
- Você comemora, oras.
- Comemorar gol do outro time? Tá pensando o que, hein? Não vai ser gol não, o Marcão vai agarrar. Vamu Marcão, só tem você.

E o Marcão agarra, de longe dá para ouvir os gritos vindos daquela sala.

- Pênalti. Pênalti. – Voltam os gritos. – Esse juiz por acaso é cego? Foi claríssimo, olha o replay, olha. – Fala apontando. – Esse juiz só pode tá apitando outro jogo. Só pode!
- Mas por que foi pênalti?
- Porque o zagueiro do outro time derrubou o Diego na pequena área, não tá vendo?
- O Diego é o de vermelho?
- NÃO! O de verde, VERDE.
- Não precisa gritar. – Fala com certo mau humor. – Só fiz uma pergunta.
- Desculpe, é que nunca consigo me controlar nesses momentos, você sabe?
- Sei, sei. – Então teve uma idéia. – E se fôssemos jantar?
- Depois do jogo?
- Não! Agora.
- Agora? Mas agora eu tô vendo o jogo e tá ficando emocionante, a gente quase empatou naquele lance. E eu não saio da frente desta TV nem para tirar o pai da forca.

Calados os dois, ouve-se apenas o som da televisão. “Lateral batida diretamente para a área, Kleber tira com a cabeça, mas antes de ligar o contra-ataque, Léo Silva chuta a bola para lateral”.

- Vai ser sempre assim, não é?
- Assim como?
- Você me trocando por esse monte de homens suados.
- Você tá com ciúmes dos jogadores do meu time?
- Não é ciúmes, é... – Mas não conseguiu responder.
- É o quê?
- É sempre a mesma coisa. No domingo, quando eu quero sair, ir ao cinema, ao teatro, você diz que não, que tem jogo decisivo e não pode ir.
- Mas meu bem, nós não combinamos que cada um teria o seu espaço? Você inclusive adorou a idéia, disse que não queria ninguém pegando no seu pé.
- Eu sei. Mas o futebol não é mais o seu espaço e sim a sua prioridade.
- Isso não é verdade. Ah , o que é isso? Outro gol, dois a zero. Tá vendo o que você fez?
- Eu?
- É. Fica tentando discutir a relação na hora do jogo, claro que isso não pode acabar bem.
- Você está dizendo que se o seu time perder a culpa é minha?
- Sim. Se você não ficasse falando no meu ouvido essa historia de você gosta mais do seu time do que de mim e...
- Espera aí! Eu não falei que você gostava mais do seu time do que de mim.
- Não?
- Não.
- Mas você fica falando enquanto o meu time está perdendo, aí eu entendo tudo errado.
- Você não entendeu nada errado, só falou o que sentia. Sabe de uma coisa, Maria Eduarda, eu sou mesmo um otário, ficar aqui ao seu lado tentando entender esse jogo idiota enquanto você não me dá a mínima. Eu vou para minha casa ler Goethe, está me ouvindo?
- Goooooooooooooool! – Gritava ela. – Oi? O quê? Falou alguma coisa Vini? Vini, para onde você vai? Vini?

Por Hévilla Wanderley

24 de junho de 2010

O que precisam para ser felizes?

Foto: Reprodução

Desde cedo aprende a bordar, cozinhar e limpar. Claro, tudo faz parte de uma educação voltada única e exclusivamente para sua própria felicidade. Não podemos nos esquecer de toda preocupação dedicada aos cuidados com a beleza física e comportamental, devendo sempre exalar doçura e suavidade. É, até porque, caso todas essas exigências não sejam cumpridas à risca, a felicidade tão sonhada e desejada acabará por ser uma frustração. Fundamento tal afirmativa. Se não fazem “cama, mesa e banho”, não se envaidecem para atrair atenção alheia, não exibem doçura, sutileza no andar, falar, e em tudo quanto fazem, os seus pretendentes podem não achá-las mulheres à sua altura. Logo, lá se vai a oportunidade de ser feliz, pois toda educação que elas recebem é para que, no futuro, possam encontrar um bom partido, rico, diga-se de passagem. É, estou falando dos contos de fadas, não perceberam ainda?

A Branca de Neve só pode ser “feliz para sempre” ao encontrar seu príncipe encantado. Já com a Cinderela, aconteceu diferente... Quer dizer, não! Ela também só pode ser feliz ao lado de um príncipe. Vale salientar que se a mesma não fosse prendada, jamais o teria conseguido. Sabe, é por isso que gosto da Mulan. Tudo bem que ela, para variar, só foi feliz ao lado do...? PRÍNCIPE!!! Porém, o conto não deixou tão forte a mensagem de que somente um homem pode trazer a felicidade feminina, afinal, ela mostrou que conseguia muita coisa mesmo na condição de menina (não esperou o príncipe chegar), o que não é muito aceito por alguns fulanos, crentes que apenas a presença masculina lhes dá uma boa vida.

Tá ok que, de fato, o ser humano, seja homem ou mulher, necessita de companhia, mas chega dessa de “menina prendada para conseguir um bom partido que lhes dê uma vida digna e cheia de conforto”. Nós mulheres podemos conseguir o castelo e depois o príncipe, ao invés de tê-lo como único meio de chegar ao castelo. Ai, ai...! Essa dependência remete à mulher vitoriana; não tinha vez nem voz, apenas tinha de sucumbir aos desejos masculinos, devendo estar sempre a postos quando requisitada. Mas isso já é assunto para uma próxima postagem...

Por Ysabelly Morais

21 de junho de 2010

Homem não presta

– Você me ama? – Perguntou ela.
– Amo. – Respondeu ele. Os dois estavam deitados na areia da praia olhando as estrelas, idéia dela. “Era romântico!”
– Muito?
– Muito.
– Quanto?
– Como assim quanto?
– É, quanto, tipo o seu amor por mim é maior que o universo, essas coisas...
– Mas ninguém sabe o tamanho do universo, gatinha.
– Por isso mesmo.
– E se o universo não tiver fim?
– Está dizendo o quê? – Disse ela se sentando. – Que o seu amor por mim tem fim?
– Não, claro que não. Meu amor por você é maior do que o universo, seja o universo do tamanho que for. – Disse por fim, o que a fez deitar novamente. – Mesmo com as suas complexidades.
– Como assim complexidades? – Disse ela se sentando novamente para encará-lo. – O que você quer dizer com isso, que eu não sou normal?
– Não, não. Que estar com você é algo especial, eu faço descobertas todos os dias, você é mais surpreendente do que eu pensei.
– Jura? – Disse ela se acalmando e voltando a se deitar.
– Juro, você é tudo o que eu sempre sonhei, uma mulher completa, com seus defeitos e qualidades.
– Que defeitos?
– Como assim defeitos?
– Defeitos, você disse que eu tinha defeitos. – Falou e se sentou mais uma vez.
– Pois é, tinha, não tem mais.
– Você está mentindo pra mim. – Falou ela, chorosa.
– Não estou mentindo, estou lhe poupando de certas verdades que você não aceita muito bem, e sabe por que faço isso? Porque te amo. Porque se eu não te amasse, não ia agüentar esses seus chiliques o tempo todo, a sua desconfiança e os seus ciúmes, a sua falta de modos à mesa, o seu mau gosto para me dar presentes, a sua mãe, aquele seu tio que só sabe contar piada de papagaio, a comida da sua avó...
– Seu cretino, seu safado... Eu não quero te ver nunca mais na sua vida!
– Na minha. Além de tudo ainda é burra.
– O quê?
– Nada.
– Eu sabia, eu sabia, minha mãe sempre disse que homem não vale nada, nem um tostão furado. Eu vou embora.

Ela se levantou e se foi. Ele ficou ali deitado por algum tempo e, só depois que foi assaltado, resolveu ir embora.

Por Hévilla Wanderley

14 de junho de 2010

Para terminar bem o dia

Foto: Reuters
Jogadores da Argélia comemoram o único gol da partida contra a Eslovênia

A manhã deste domingo começou com uma fraca apresentação entre Argélia e Eslovênia. A vitória de 1 a 0 dos eslovenos garantiu-lhes a liderança do grupo. É difícil dizer se deu zebra, pois a Eslovênia lidera o grupo C, que ainda traz Inglaterra e Estados Unidos, empatados com um ponto, ou se deu frango. Aos 33 minutos do segundo tempo, Koren chutou contra as traves do goleiro Chaouchi, que engoliu o segundo frango da competição, e fez o gol da partida.

O jogo não teve muita emoção. Destaque para a “dancinha” de comemoração dos eslovenos após o gol. Nada que chegue aos pés dos “Dançarinos da Vila”, mas deu para ver que foi muito bem ensaiada. Mais interessante do que a partida, foi a presença do francês, filho de argelinos, Zinedine Zidane.

A partida entre Sérvia e Gana não foi tão diferente da primeira, mesmo ambas as seleções tendo alguns jogadores que são relativamente melhores. No caso da Servia, Vidic, Ivanovic, Krasic e Stankovic. E do lado de Gana, o meia Asamoah. A tática prevaleceu e o jogo ficou parado no meio de campo.

Para não dizer que o jogo foi monótono até o fim, teve uma expulsão do zagueiro Lukovic, que até fazia boa partida. E para piorar a situação Kuzmanovic colocou a mão na bola dentro da área aos 37 minutos do segundo tempo. Pênalti. Asamoah bateu firme e abriu o placar para Gana. Ele ainda teve tempo de bater uma bola na trave no último minuto, mas o jogo terminou assim mesmo, 1 a 0 para Gana, que foi a única seleção africana a ganhar seu jogo na Copa até agora.

Pelo fim do pragmatismo, da tática e da falta de talento, a Alemanha entrou em campo no fim do dia para aplicar a primeira goleada do Mundial. Tudo bem que o adversário era a fraquíssima Austrália, mas isto não minimizou o resultado, nem a beleza da partida.

A seleção alemã começou a partida um pouco nervosa, deixou a Austrália trocar alguns passes, e esta quase abriu o placar aos 4 minutos com Cahill, ele desviou de cabeça, mas Lahm cortou. Garcia ainda tentou completar, mas fora só um susto para a Alemanha. Que depois de recuperada começou a trocar passes rápidos e precisos e aos 8 minutos abriu o placar com Lucas Podolski. Não foi um gol qualquer foi o mais bonito, Özil tocou para Müller, que tocou para a entrada da área, onde estava Podolski e com um belo chute de esquerda mandou a bola para o fundo das redes.

O segundo gol foi de Klose, ele já tinha perdido em várias situações de gol, mas depois de um cruzamento certeiro de Philipp Lahm, ele desviou para o gol, aproveitando a péssima saída do goleiro Schwarzer da Austrália. Após uma péssima temporada pelo Bayern de Munique, na qual só marcou dois gols, Klose chega com grandes expectativas de chegar à marca de Ronaldo Fenômeno em copas. O atacante brasileiro tem 15 gols em mundiais, já Klose chegou a 11 no jogo desta tarde, e só precisa de mais quatro.

A Alemanha jogou com qualidade técnica, criatividade e posse de bola, até parecia a seleção brasileira em outros tempos. Mas no segundo tempo, a Austrália estava disposta a não deixar tudo tão barato, adiantou a marcação e conseguiu um pouco mais o domínio, mas foi só Cahil ser expulso que a Alemanha mostrou de novo quem mandava.

Aos 23 minutos Müller fez um belo gol, depois de avançar por toda a marcação. Cacau, brasileiro naturalizado alemão, fechou a goleada aos 25. Finalmente um jogo de Copa do Mundo, como deve ser, com bom toque de bola, muitos gols e uma equipe de tradição vencendo bem.

Por Hévilla Wanderley

12 de junho de 2010

O Pastor

Sabe aqueles dias em que nada dá certo? Todo mundo já passou por isso.
Roberta perdeu o emprego numa semana e na outra descobriu que o namorado enfeitava sua cabeça. Vida difícil, sem emprego e sem namorado ainda tinha que voltar para casa de ônibus. E quem anda de ônibus sabe que as piores experiências de nossa vida, passam naquele enlatado.
Sentada na janela olhando a cidade passar com a velocidade do ônibus, Roberta pensava na vida, distraída com os seus problemas, nem viu quando um homem de terno e gravata se sentou ao seu lado, só reparou mesmo quando ele começou a falar.

– Porque Jesus disse: “Tudo passará, mas a minha palavra será sempre firme como uma rocha”. O fim dos dias está chegando, as evidencias estão aí e ninguém pode negar. Irmãos e irmãs vejam o que está diante de seus olhos. As guerras, a fome, as pestilências...

Era só o que faltava, o dia não estava ruim o suficiente para acabar daquela maneira, tudo o que ela mais queria era chegar em casa, tomar uma ducha e ir dormir, não sentia fome, mas uma raiva súbita do pastor começava a crescer dentro dela.

– Terremotos, descomedido amor ao dinheiro, amor aos prazeres da carne, sem contar que ninguém leva a sério as provas que os últimos dias estão chegando. Mas irmãos e irmãs Deus não lhes abandonará...

O pastor falava sem parar, resolveu citar a bíblia todinha ali, do lado de Roberta, que não podendo mais agüentar resolveu dar um basta naquela situação.

– Deus preparou um lugar especial para todos nós, e no dia do juízo final...
– Escuta aqui. –começou ela – Sabia que nem todo mundo quer escutar o que o senhor tem a dizer?

O pastor escutou o que Roberta falara com muito espanto, como se nunca tivesse sido interrompido antes. Recuperado do susto, mas agora chateado ele falou:

– A senhora é muito mal educada.
– Eu? É muito engraçado, a gente vem cansada, louca pra chegar em casa e ainda tem que agüentar esse monte de baboseira de que o mundo vai se acabar. Até aonde eu sei, faz tempo que o mundo tá pra acabar, seria melhor que acabasse de uma vez, pelo menos eu não teria que ficar ouvindo essas besteiras.
– Blasfêmia, blasfêmia contra a Palavra do Senhor! Você não será salva, irmã, a não ser que queira, mas eu sei que Deus está disposto a lhe perdoar e perdoar todos os seus pecados é só você se arrepender.

A briga dos dois tinha virado a atração principal do ônibus, até o cobrador olhava de longe para ver no que ia acontecer, o motorista apenas escutava de onde estava.

– Era só o que me faltava, um maluco bem aqui do meu lado.
– Muitos serão considerados malucos, porque no mundo onde se vive hoje ninguém mais acredita na palavra e quem acredita não é levado a sério, mas Deus sabe e conhece o coração de todo mundo...
– Isso só pode ser castigo, eu devo ter jogado pedra na cruz numa vida passada.
– Não existe vida passada. – Retrucou o pastor. – E tenho certeza que quem me colocou do seu lado hoje neste ônibus – dizia ele, apontando o dedo para cima e o sacudindo, na outra mão ele segurava a bíblia que às vezes abria e depois fechava – foi Deus. Deus me colocou ao seu lado, minha irmã, e sabe por quê?
– Não, por quê? – Indagou ela, com visível desinteresse.
– Porque só Ele sabe as dores que te afligem, só Ele sabe o que passa dentro de ti e só Ele pode te dá o conforte que você precisa. Ninguém mais. Por isso eu lhe pergunto irmã: Tem algo lhe afligindo?

Roberta pensou um pouco, suspirou fundo e disse:

– Tem sim. – Disse aos prantos. – A minha vida, a minha vida não vale nada, eu sempre perco as coisas que eu amo, meu namorado, meu emprego, tudinho.
– Então dê graças pelo que você perde irmã, porque Deus lhe dará em dobro.
– Ah é?
– É claro, porque só Deus te ama de verdade. Mas para isso você precisa aceitar Jesus. Você aceita Jesus, irmã? – Gritou ele.

Dentro do ônibus o silêncio era total, todas aguardavam a resposta, todos queriam saber se ela aceitaria ou não, era uma proposta difícil, mas quem sabe? Era algo que só dependia dela. Ela abriu a boca devagarzinho e todos seguraram a respiração, mas ela fechou novamente sem falar nada, todos soltaram à respiração. Mais uma vez ela abriu a boca.

– Sim, eu aceito Jesus. – Disse ela para a vibração de todos que aguardavam ansiosamente, muitos tinham se levantado, a maioria batia palma, alguns se abraçavam, outros gritavam viva.
– Não ouvi, mais alto: você aceita Jesus irmã?
– Sim, eu aceito. – Gritou ela
– Muito bem, então tome este cartãozinho é onde fica a minha igreja, estarei esperando por você. – Ela pegou o cartão e o guardou na sua bolsa.

O final da viagem seguiu tranqüila e silenciosa, o pastor após ter convertido Roberta parecia satisfeito e não falara mais nada para alivio e alegria do restante dos passageiros que tinham feito uma corrente para que ele convertesse alguém e calasse a boca, só assim seguiria viagem em silêncio, afinal estavam todos cansados e só queriam chegar em casa logo.

Por Hévilla Wanderley

Em dia de goleiro não há goleadas


O segundo dia de jogos começou bem cedo, Coréia do Sul e Grécia entraram em campo às 8h30 (horário de Brasília) para jogarem a pior partida até aqui, não que já se tenha muitos jogos, mas isso não isenta a pontaria ruim dos coreanos, apesar de ser uma equipe até arrumadinha, e a péssima defesa da Grécia. Esta última nunca marcou um gol em copas do mundo, e pelo que parece, continua tentando o mesmo neste Mundial.

Por isso mesmo a Coréia venceu sem grandes dificuldades. 2 a 0 foi o placar final do jogo. Os gols foram marcados aos 7 minutos do primeiro e do segundo tempo, o último marcado pelo “craque” do time, Ji-Sung Park, jogador do Manchester United.
Este placar deu à Coréia a ponta do grupo B, já que a principal candidata para liderança, a seleção argentina, ganhou da Nigéria com um magro 1 a 0. O melhor jogo da copa até aqui contou com muitas chances de gol, 29 no total, 20 para os hermanos, no qual sete foram diretos no gol.

Messi, atual melhor jogador do mundo foi quem mais brilhou pela Argentina: driblou, chutou a gol e se movimentou como só faz no Barcelona, quer dizer, ainda não tem bem como no Barcelona, mas já é um começo para amenizar um pouco as criticas que são feitas por causa da diferença do seu desempenho nas duas equipes. Mas, e sempre tem um mas, hoje foi dia de Enyeama. O goleiro nigeriano fez defesas inacreditáveis, parou o craque argentino como poucos fizeram essa temporada, ou seja, só Julio César.

Porém o que Messi não conseguiu insistentemente fazer, Heinze o fez e de cabeça. Aos 6 minutos do primeiro tempo o "gringo sagrado", como é chamado carinhosamente em seu país marcou o único gol do jogo.

Para terminar o dia, aconteceu o primeiro jogo do grupo C, que foi entre Inglaterra e Estados Unidos. Com ameaças de Al Qaeda de um ataque terrorista, o jogo teve a segurança mais reforçada da competição. Mas felizmente nada aconteceu. Fora de campo, porque dentro...

A Inglaterra abriu o placar logo aos 4 minutos do primeiro tempo, Rooney, passou para Heskey, que tocou para Gerrard, e o capitão do English Team concluiu depois desta bela triangulação. Os norte-americanos montaram um paredão na defesa, ficaram mais tempo com a posse de bola e usaram as bolas levantadas na área como principal arma de ataque.

Mas o empate não veio da cabeça, e por ironia, nem dos pés de nenhum jogador dos Estados Unidos, mas das belas mãos do goleiro inglês Robert Green. Se for verdade o que o ditado diz, “o primeiro frangaço da copa a gente nunca esquece”, principalmente se este for o motivo para a não vitória de sua equipe.

Os últimos 45 minutos começaram e terminaram de forma bem equilibrada, a Inglaterra chegou a ocupar o campo adversário no começo, depois o jogador americano Altidore acertou um balaço na trave de Green, provando que algumas traves são mais competentes do que certos goleiros. E bem no finzinho, o time da terra da rainha ainda conseguiu chegar com perigo na área adversária, mas parou na competência do goleiro americano Howard, provando que hoje foi o dia dos goleiros e não das goleadas.

Por Hévilla Wanderley